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CORRENTES NO BARRO!!!
inserida no site em 12/06/2001

 

Um buggy é um carro para curtir a natureza. É um lazer de baixo custo, seguro e onde você pode aliviar as tensões da semana.

Como pode ser visto em nossa classificação de buggies, existem dune buggies, para areia e outros, entre eles o - classificado pelo Amadeu Zullino - MudBuggy. Um buggy para trilhas com muito barro. Como encarar estas trilhas com segurança de que vai passar? Em primeiro lugar, nunca vá sozinho a uma trilha, principalmente se for desconhecida. E passeios em grupo sempre são mais divertidos...

Na década de 70, trabalhei no Norte do Paraná (Faxinal - próximo à Londrina) e trafegava em um fusca nas estradas locais. Em época de chuvas, só com correntes. As correntes eram muito semelhantes às utilizadas pelo Amadeu, mas eu usava tiras de câmara de ar de caminhão, para ajudar a esticá-las. Não sei se ainda é uma prática válida.

Em Porto Alegre, estas correntes podem ser adquiridas na Ferramentas Gerais. (veja no final desta página, o endereço de um fabricante)

A seguir, vamos ver o que o Amadeu tem para nos ensinar sobre como "acorrentar" seu buggy para enfrentar um barro!

 
Usando correntes no barro - por Amadeu Zullino

O uso de correntes é sempre uma tarefa trabalhosa, cansativa e suja . Além do mais, as correntes não devem ser usadas em chão firme ou asfalto pois isto danificaria os pneus, a estrada e desgastaria rapidamente os elos. As correntes devem ser usadas apenas em terreno barrento, mole e apenas para vencê-lo . Feito isto, devem ser retiradas. Se mais à frente for necessário, deveremos enfrentar a faina de colocá-las novamente. É uma tarefa um tanto aborrecida às vezes, mas vale pela aventura e pelo prazer de vencer um obstáculo. Somente as rodas de tração devem merecer correntes.

   
Clica nas fotos para ver melhor e ler as explicações do Amadeu.
 

Existem correntes de todos os tamanhos para qualquer pneu. Existem também correntes com elos maiores ou menores. Estas últimas são mais fáceis de lidar. São fáceis de colocar e tirar, não marcam muito a estrada, nem os pneus. Mas, num atoleiro mais bravo, são menos eficientes.

No meu Buggy as correntes têm elos grandes, do tipo usado em caminhões e deixam o Buggy apto a enfrentar trilhas difíceis. Para calçar as correntes, costumo levantar as rodas traseiras com um macaco hidráulico e, assim, consigo esticar bem os elos e manter o pneu bem envolvido.

A possibilidade das correntes escorregarem sempre existe, mas é pouco provável. Se ficarem frouxas, elas certamente irão deslizando com a rotação das rodas e poderão escapar, partir ou enrolar nos eixos (sempre um grande aborrecimento). É preferível perder um pouco mais de tempo, levantar as rodas de trás e deixar as correntes bem esticadas e ajustadas sobre os pneus.

No atoleiro mostrado nas fotos, muitos carros já encalharam e até Jeeps sofrem muito para vencê-lo. Mas o meu MudBuggy, com as correntes, nunca me deixou na mão.

Quem vai enfrentar uma trilha brava deve ir em grupo e muito bem equipado (nota do Planeta: veja os equipamentos do Amadeu, nesta página). É bom ir com botas de cano alto ou botas de borracha, pois assim pode-se percorrer o atoleiro e estudar o melhor lugar para passar (ou até desistir se perceber que é muito profundo).

     
Detalhes do buggy "lameiro" e da lavagem posterior... Reparem que este buggy tem protetores laterais, motor protegido, escapes elevados, rodas de aço, gaiola integral... é um buggy de trilha, mesmo!!!
 

Uma vez estive na Argentina e vi alguns veículos usando correntes para vencer a neve. É uma experiência que ainda me falta. Não tenho mais feito trilhas bravas porque depois dos 50 já não é tão fácil, mas há seis anos, eu e minha esposa cruzamos com nosso Buggy a IlhaBela e foi muito difícil.

Foram 25 Km numa antiga trilha de escravos e piratas, cujo ponto mais alto está a 700 m de altura, com chão péssimo e vários abismos. Raramente pude engatar a segunda marcha e valeu pela paisagem magnífica da Mata Atlântica, quase intocável. Ao chegarmos na Baia dos Castelhanos, precisamos cruzar a vau um rio de águas cristalinas, com mais de 10 m de largura, leito de seixos e com quase 50 cm de profundidade. Mas a correnteza não era forte e o Buggy passou bem (fiquei com receio de molhar o distribuidor e protegi o mesmo com plásticos e panos). Foi tudo bem. Alguns metros depois demos com um senhor atoleiro de 20 m de extensão, largo e com 20 cm profundidade.

Os jipeiros locais (levando turistas por um bom dinheiro) estavam passando com dificuldade e percebi que não iam em linha reta e sim numa trilha, encoberta pela barroca. Tentei conversar com alguns para obter alguma dica sobre esta trilha mas ficaram com receio de uma eventual concorrência (quanta bobagem) e nada me disseram. Entretanto, todos se dispuseram a resgatar o meu Buggy, uma vez atolado, mediante um polpudo pagamento. Não obtive nada dos jipeiros locais exceto muita inveja. Infelizmente, não encontrei nenhum companheiro de off-road ou bugueiro nesta aventura. Estudei o lodaçal e eu e minha mulher decidimos cruza-lo . Entrei em segunda marcha, devagar e firme e fomos vencendo. Quando faltavam apenas 5 metros a roda dianteira esquerda começou a escorregar e afundar (certamente um buraco na trilha "secreta" dos jipeiros), mas o Buggy continuou andando e conseguimos sair. Todavia, a roda traseira esquerda também entrou no buraco, e afundou muito, adernando bastante o Buggy para a esquerda, mas continuou andando mesmo inclinado e logo foi saindo do buraco e saímos, sãos e salvos.

Ao afundar a roda e adernar para bombordo (esquerda), uma certa quantidade de lama começou a invadir o costado do Buggy, mas logo este levantou do buraco e tudo terminou bem. Fiquei imundo de barro e fui me lavar no mar. Que susto! Fomos então até a praia de Castelhanos, um mar limpo, lindo e bravo. O Buggy, por ser um MudBuggy, não teve bom desempenho na areia fofa da praia. Agarrava e cavocava demais na areia, exigia muito do motor e da transmissão, mas não encalhou. Se os pneus fossem do tipo DuneBuggy ele teria tido bom desempenho (afinal cada macaco no seu galho). Ficamos lá algumas horas e voltamos, agora com menor dificuldade por já conhecer as manhas desta trilha. Deste dia em diante decidi usar as correntes para não passar mais apuros com barro. Atualmente faço apenas trilhas fáceis e por puro lazer. O Buggy é um relax excelente e não custa caro. Quanto custa comprar e manter um Jet-esqui, um barco, uma lancha, um ultra-leve, um teco-teco, etc ? O Buggy é também muito divertido, emocionante e tem custo e manutenção bem menor.

Amadeu

 

Em novembro de 2001, recebemos um mail do representante de uma indústria de correntes de tração. Transcrevemos a seguir, por achar que pode ser de interesse dos buggueiros do Planeta:

Visitei seu site na web, parabéns. Mas gostaria de informa-lo, que existe no mercado brasileiro, correntes anti-derrapantes para uso em lama, sivicultura (extração de madeiras), pedreiras e etc. Correntes tratadas termicamente, que podem ser facilmente montadas sem que tenha que levantar o veículo. Estas correntes são temperadas e cementadas, isto quer dizer, que são altamente resistente ao desgaste, podendo ser utilizadas inclusive em temperaturas abaixo de zero graus.

Depois de soldadas com aço nobre, estas são tratadas para evitar as rupturas nas soldas e nos entre elos. Os engates e esticadores possibilitam a montagem, movendo o veículo para frente ou para trás. São fabricadas para qualquer tamanho de pneu, mesmo importado.

Para maiores informações, visite os seguintes sites na web:

Sou consultor destas empresas há mais de 8 anos. A RUD Correntes Industriais é uma empresa alemã, a qual, está no Brasil hámais de 23 anos e na Alemanha há 125 anos, fabricando correntes de aplicações especiais. Consulte nossos preços de correntes para pneus ou solicite um catálogo.

Um Abraço,

Davi Almeida (davi.a@terra.com.br) - Rudsul Ltda.

 

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