De volta para casa...
III Encontro de Salvador
inserida no Planeta em 31/08/2003

Alô, buggymaníacos do Planeta!!!!

Sim!!! Magistral o III Encontro de Buggies de Salvador!!! Foi a mais radical e, ao mesmo tempo, a mais familiar das reuniões bugueiras daqui de Soterópolis!!! E teve de tudo: desde complôs femininos — sempre as nossas esposas... — até tentativas de furtar o buggy do Toddy para enfiá-lo nas dunas!!! Hehehe... E cervejas, muitas cervejas... E muito ronco de motor VW a ar também... Ainda tivemos a honra e o prazer de conhecer, pessoalmente, mais alguns membros dessa confraria de doidos que adoram areia, vento na cara e mãos sujas de graxa. Vou tentar contar como foi. Pelo menos, as partes que consigo lembrar, pois, como normalmente acontece, depois da 30ª cerveja, os fatos começam a rarear na memória...

O Encontro, como aliás já se tornou tradição, começou na véspera, dia 19 de julho, um sábado ensolarado e preguiçoso, perfeito para umas cervejas bem geladas. Havíamos combinado de dormir em Stella Maris — local que abrigara o nosso primeiro evento “buguístico” e que havia sido escolhido para sediar também o terceiro. Ficaríamos na casa de Amélia, tia da minha rádio-patroa, para não nos atrasarmos na manhã seguinte, dia do glorioso III E.B.S.. Iríamos à tarde, levando os buggies; e Cicília, a minha digníssima, chegaria à noite, junto com Lucas, meu filho mais velho, e Maria Luiza, minha filha que, como vocês sabem, nascerá agora em setembro.

Pois bem, algo em torno das 15 horas, Mestre Vina apareceu aqui em casa... Mas veio sem o Valente! O danado não havia ficado pronto a tempo, ainda estava sem a bomba de freio. O Vina teria que vir comigo, na “humilhante e desumana condição de Zequinha” — ou seja, deveria fazer as vezes do “cara que troca pneu, empurra o carro para desatolar e busca a cerveja”, nas palavras do próprio Vinícius ... Hehehe. Na verdade, o fato do Vina vir comigo seria providencial, como descobriríamos mais tarde, ao final do evento. Ademais, eu estava mesmo sem um co-piloto, já que o grandioso Leo havia ido para Arembepe e não compareceria ao Encontro... hehehe.

Apanhamos o Bird Cachorrão e seguimos para a Orla Marítima de Salvador. No meio do caminho, resolvemos ligar para o Cowboy Thiagão... Conversa vai, conversa vem, e alguém mencionou a palavra mágica: “Cerveja”... Putz! O Thiagão nos esperava com a sua lendária sacola térmica abarrotada de cerveja... Nada mais precisou ser dito: deixamos passar a entrada para Stella Maris e rumamos para a Praia de Ypitanga. Logo encontramos o nosso Cowboy, devidamente instalado no seu Poney, e já com uma latinha na mão, é claro... Não poderíamos esquecer da nossa Cowgirl, a Dani, assim fomos até a sua casa, que também fica em Ypitanga. Com a equipe pronta, resolvemos finalmente ir a Stella Maris para esperar Cicília.

Em Stella Maris, paramos no “Bar da Bela”, Praça do Petromar, e pusemos a conversa em dia. É uma maravilha encontrar essa galera! A gente ri pra caramba, fala bobagem, conta as maluquices que tem feito, desanuvia a mente... A Dani e o Cowboy são daquelas pessoas com a alma leve, que fazem um bem danado. Os dois se adoram, mas como já estão juntos há algum tempo, implicam e fazem birra vez em quando. É uma delícia! Eu e o Vina nos divertimos barbaridade com as regulagens que a Dani dava no Thiagão — que, aliás, nunca dava o braço a torcer! Hehehe.

Lá pelas tantas, a minha rádio-patroa ligou. Havia ficado muito tarde, e ela estava com medo de pegar a Avenida Paralela, sozinha, já naquele horário. Disse que viria cedinho no dia seguinte e me fez uma lista de recomendações: do costumeiro “Não beba muito” até o insólito “Escove os dentes” — Imagina se eu vou me lembrar de levar uma escova de dentes para um encontro de bugueiros... No final, depois do dengo e do derretimento, pediu para falar com o Vina. Passei o telefone e comprovei que as mulheres são os seres mais ingênuos que Deus pôs sobre o mundo... Ela pediu ao Vina para tomar conta de mim!!! Imagina a raposa guardando o galinheiro!!! Eu comecei a rir no momento em que ouvi o Vina responder, todo compenetrado, que ela não se preocupasse, que ele estaria comigo o tempo todo, que ele não beberia muito... Olhei pro Thiagão e, tacitamente, compreendemos a situação: a noite estava começando naquele momento...

Ficamos um pouco mais em Stella Maris, depois retornamos a Ypitanga, onde deixamos Dani em casa — não sem alguma resistência... Hehehe. A nossa Cowgirl nos olhava preocupadíssima, como se estivéssemos prestes a fazer alguma bobagem. Tivemos que jurar de pés juntos que voltaríamos cedo e que não iríamos, de forma alguma, até uma rua lá que não recordo o nome. O que havia na tal rua, não tenho a menor idéia, só o Thiagão sabe do que se trata. Hehehe. Mas agora éramos os três mosqueteiros, perdidos na noite soteropolitana... Faltava apenas o D'Artagnan. Mas esse problema, como diz o Luizinho, seria “galho fraco” de se resolver: bastava passarmos na casa de Edmundo, tio de Vina, e teríamos um companheiro de farra sempre alerta para arrastar-se conosco através dos bares menos recomendáveis que pudéssemos encontrar.

E foi o que fizemos. De Ypitanga, tomamos o caminho para Villas do Atlântico, município de Lauro de Freitas, até a casa de Edmundo. Já o encontramos com um copo na mão e cheio de soluços... E perguntando onde iríamos. Eu, que achava que o Vina havia puxado ao pai, hoje tenho cá as minhas dúvidas...; acho que, para o desespero de Dona Bela, mãe do Sgtº. Vina, a influência do tio Edmundo foi muito mais determinante para a formação etílica do nosso Mestre. Hehehe. Pois... Enfiamos o Edmundo no Cachorrão — Dali em diante, Vina assumiria o volante do Bird, e eu faria as vezes do “Zequinha”, no Poney — e partimos em direção à cidade de Lauro de Freitas, direto e sem paradas até o Bar da Cigana.

Como o bar da Cigana estivesse desinteressante, cheio de gente esquisita — Imaginem algo que seja “esquisito” para essa trupe... hehehe —, resolvemos dar um pulo no Bar da Mangueira, um inferninho bem ralé, que funciona próximo ao final de linha da cidade. Aquele ambiente tomado por fumaça de cigarro — mesmo sendo ao ar livre —, com gente de todo tipo, espalhada por entre as sombras, cerveja Cintra, garçonetes suspeitas... Êita! Estávamos em casa!!! Mas terminamos ficando pouco. O cansaço e a perspectiva do Encontro, na manhã seguinte, lembraram-nos de que dormir é algo que deve ser feito... Pelo menos, esporadicamente...

Antes de sairmos, no entanto, ainda tivemos tempo de quase nos metermos em confusão: Numa mesa à nossa direita — para o nosso azar, situada entre a nossa própria mesa e a única saída do recinto —, estavam algumas garotas... Não haveria maiores conseqüências, se quem estivesse o mais perto possível delas não fosse o Edmundo. Pois bem, o causo foi o seguinte: enquanto nós conversávamos sobre buggies, o Edmundo puxou papo com uma delas. A moça, de forma brusca, abandonou a mesa e foi substituída, em sua cadeira, por um sujeito mal-encarado que passou a olhar-nos ameaçadoramente. O Edmundo ainda tentou entabular algum tipo de conversa com o cara, mas obteve uma única resposta: “A menina trabalha na casa, não pode conversar com os fregueses!” Com o sorriso mais cínico do mundo, Edmundo perguntou: “Trabalha, é?” Acho que o sujeito deve ter acompanhado o raciocínio do tio do Vina: três jovens desacompanhadas, sentadas num bar daqueles, de madrugada, sem consumir nada e sem dançar... Hehehe. Mais carrancudo ainda, o cara fez sinal para o balcão, e outros dois homens se aproximaram discretamente; resolvemos que era hora de pagarmos a conta e cairmos fora daquele lugar. E foi o que fizemos.

Do lado de fora, comentamos o fato e gargalhamos, ante a perspectiva de aparecermos no Encontro com olhos roxos ou braços quebrados. Até hoje não sabemos que diabos o Edmundo disse para a menina... Também não temos a menor idéia sobre que função elas exerciam naquele pardieiro. Lembramo-nos de que não havíamos comido nada e, do famigerado bar da Mangueira, resolvemos ir à Lanchonete do Roberto, que estaria no III Encontro, junto com o seu Bird amarelo. Lá, encontramos um buggy gaiola absolutamente caseiro, mas o dono não permitiu que fizéssemos algumas fotos, alegando que o carro ainda não estava pronto. Mas prometeu que, assim que concluísse a sua obra-prima, enviaria um registro para o Planeta. Por fim, Thiagão voltou para Ypitanga, e nós fomos catar um canto para dormir na casa de Edmundo.

O mais inusitado dessa noite aconteceu no momento em que chegamos em casa... Havia, por lá, uns quatro ou cinco cães da raça akita. O mais novo, cria do próprio canil, ficava solto. Devia ter seis meses e ainda não se desenvolvera totalmente, mas acabara de entrar no primeiro cio. E adivinhem quem despertou a libido do jovem cãozinho? Sim! Isso mesmo! O Mestre Vina! Foi lindo aquilo... Paixão à primeira vista! O Cãozinho saltitava em volta do Vina e lambia-lhe o que pudesse alcançar... Volta e meia, tentava montar-lhe a perna ou partes menos elegantes... Hehehe. Não sossegou nem mesmo quando entramos em casa, para dormir. Passou o restante da noite a uivar sob a janela; enquanto o Mestre Vina resmungava: “Cachorro FDP...”.

Acordamos por volta de oito horas e, depois de um café reforçado, fomos esperar Thiagão na entrada lateral de Villas. Antes de chegarmos em Stella Maris, passamos na casa do Fernando, para fotografar o seu Valente 90, que também estaria no Encontro. Perto de nove e meia da manhã, chegamos ao Posto Esso, em frente ao Petroclube, local combinado para a concentração do pessoal. Lá já estavam o Marcão, com o seu Dakar Plus II, e o Joaquim Neto, junto com sua esposa, Bethânia, seus dois filhos e seu Coyote vermelho. Depois das devidas apresentações, resolvemos que faríamos o III Encontro no Bar da Bela, na praça do Petromar. E fomos para lá.

No Bar da Bela, instalamo-nos e pedimos a primeira cerveja do dia! A abertura oficial do III Encontro de Buggies de Salvador se deu ao tilintar do primeiro brinde. Daí em diante, foi um tal de se conversar sobre buggies. E de se futucar os brinquedões. E de se fazer novos brindes. Êita! Parecíamos meninos!!! A certa altura, deixei o pessoal e fui buscar Cicília, que já havia chegado à casa de sua tia — onde deveríamos ter dormido... Hehehe. Ciça chegou e logo se enturmou com a Bethânia, esposa do Neto. Desse momento em diante, as duas armariam um perigoso complô contra a gente. Começaram dizendo que nós gastávamos muito dinheiro e muito tempo com os buggies; terminaram combinando uma estratégia muito malvada: disseram que, para cada minuto que passássemos com os nossos carros, elas usariam uma hora no shopping para comprar... Já pensaram que horror?! Nossos orçamentos nunca resistiriam a algo do gênero...

Mas faltava ainda o Velho Toddy! Já era quase meio-dia, e o Todinho nem dera sinal! Ligamos para o safado, e ele, com voz de sono, avisou que estava chegando. Passaram algumas cervejas, e ligamos para o Toddy de novo. Ele ainda estava chegando. Outras cervejas, e o Toddy continuava chegando... Putz! Aí, alguém lembrou das 23 namoradas do nosso amigo... Provavelmente, o Todinho teve que dar assistência a 15 delas, durante a noite, por isso se atrasara... Hehehe. Enfim, mais algumas cervejas, e lá vem o Tratorzinho do Toddy, buzinando pela praça do Petroclube! A equipe agora estava completa — ou, pelo menos, completa com todos os que conseguimos chamar para o Encontro, pois alguns dos nossos amigos bugueiros, infelizmente, não foram encontrados: o Luizão, do Bird; o Leo, meu co-piloto; o Bruno e o Guga, dos Valentes; e o meu vizinho de Ilha, Marco Aurélio, do Tocantins... Uma pena, pessoal, vocês fizeram falta.

O ambiente estava perfeito. A cerveja mais do que gelada. Enfileiramos os possantes para as fotos e resolvemos deixá-los assim... As pessoas passavam e olhavam maravilhadas aqueles buggies ali, juntos, brilhando ao sol. De repente, escutamos o barulhinho inconfundível do motor VW a ar... Era o Capitão que vinha, com o seu Bird vermelho. Tentamos parar o cabra, mas ele não ouviu, seguiu em frente. Enquanto lamentávamos, ouvimos mais barulho de motor VW, atrás de nós. Viramos ao mesmo tempo e demos de cara com um Emis Art fechado, todo acabado, bufando em nossa direção. O Emis parou, e, de dentro, saltou um senhor acenando para a gente... Era o Carlos. A história que nos contou foi a seguinte: ele adorava esse carro, o Emis, mas a esposa implicara com o bicho, de forma que ele resolvera vendê-lo. Quando passou mais cedo na praça, viu a reunião de buggies e pensou em trazer o seu Emis fechado para que indicássemos que preço ele poderia pedir pelo carro. Nós não sabíamos avaliar, afinal entendemos de buggies; não de carros de fibra fechados. Mas começamos a convencer ao Carlos a não se desfazer do seu possante. No fim da conversa, o Carlos já olhava para o Emis com os olhos brilhando...

Lá por volta das três da tarde, Neto teve que ir embora, pois as crianças já estavam cansadas. Grande brother, o Neto. Gente finíssima mesmo, com uma natureza nota dez. Senti uma afinidade muito boa, aliás, não só com ele, com a Bethânia também — Cicília, então, nem se fala... Adorou a Bethânia. Um cara gosta de buggy e de cerveja, que toca violão e que ama a sua família, um cara desses vale ouro. Aê, Neto, vamos marcar uma pescaria em Amoreiras ou em Guarajuba!

Não me lembro se o Roberto chegou antes, ou depois, do Neto ter ido para casa, mas o fato é que chegou, com o seu Bird amarelo, e já veio chamando a rapaziada para entrar nas dunas da Reserva da A.P.A. — alguns hectares de dunas, de propriedade da Marinha do Brasil, que estão fincados no coração do bairro de Stella Maris. Marcão, Vina e Thiagão se empolgaram com a idéia; eu e o Toddy ficamos receosos. O Toddy argumentou que acabara de reformar o Tratorzinho, pois pretende vendê-lo no final do ano, e que, portanto, não gostaria de arriscar o investimento nas dunas. Eu tinha preocupações mais sérias, afinal, as dunas da A.P.A. são fechadas à visitação pública, sob pena de os infratores serem levados à sede da Polícia Federal, para prestar esclarecimentos. Já imaginaram se o III E.B.S. terminasse na cadeia? Hahaha. Assim, instalou-se um impasse...

Depois de muito se conversar, ficou decidido que Thiago e Marcão iriam no Poney — visto que o Dakar não possui pneus apropriados para entrar nas dunas —, e o Sargento Vinícius iria no Bird amarelo, junto com o Roberto. Eu e o Todinho ficaríamos, tranqüilamente, “cervejando” em Stella Maris, esperando o pessoal voltar. Dessa forma, tudo estaria resolvido de forma adulta e democrática... Tá certo... Assim que sentamos na mesa, vimos o Poney dando ré e se aproximando da frente do Tratorzinho do Toddy... Não entendemos nada, até vermos o Vina engatando o cambão. Os caras estavam tentando surrupiar o Valente para enfiá-lo nas dunas!!! Hahaha. Gente, só me lembro do pulo que o Toddy deu: “Peraê, Rapá!!!” Eu não conseguia sair da mesa, de tanto que ria! O Toddy atarantado, tentando segurar o seu carro, e os sacanas rindo parecendo um bando de meninos... Foi a coisa mais engraçada que já vi na minha vida! É claro que tratava-se apenas de uma brincadeira, mas o Todinho, conhecendo aquela raça, ficou preocupado mesmo... Enfim, os malucos se foram, e o Toddy pode respirar tranqüilo e rir do episódio. Ficamos lá, papeando em volta das cervejas, enquanto o III Encontro seguia para as Dunas da A.P.A.

Entraram na Reserva sem problemas, pela pista principal de Stella Maris. O primeiro obstáculo que encontraram foi um pequeno córrego, que cortava o acesso às dunas. Era necessário averiguar a consistência do solo e a profundidade da água. Assim, Mestre Vina saltou e fez algo a que raramente se dispõe: entrou na água (Hehehe). O nível estava pouco acima da canela, podiam passar... Thiagão engatou a primeira e, devagar, cruzou o córrego — mantendo alta a rotação, para evitar o calço hidráulico. O Bird amarelo fez o mesmo. Vencido o córrego, veio a primeira duna: de altura média — mais ou menos oito metros, com aproximadamente 60º de inclinação. Fácil de galgar. O passeio parecia ser fácil e sem perigos. Assim que atingiram o topo da primeira duna, tiveram uma visão que os deixaria maravilhados. A geografia baiana se deu à mostra em todo o seu esplendor: por todos os lados, havia dunas altíssimas, de até 30 metros, com inclinações que chegavam a 75º. Entremeando as dunas, muitas lagoas e córregos e áreas de vegetação tropical. Um paraíso de areias brancas. As fotos não fazem justiça à beleza da Reserva da A.P.A.

Os nossos amigos começaram a perceber que não seria tão fácil andar nas dunas da Reserva, como eles haviam pensado. Resolveram evitar as dunas que tivessem mais de 70º de inclinação, mas nem sempre isso era possível: às vezes, caíam em uma armadilha natural, onde, inevitavelmente, tinham que escalar, ou descer, uma duna-monstro. O risco de embicar com o buggy era muito grande, principalmente, no caso do Poney, do Thiagão, que tem a frente muito baixa. Mas, uma a uma, as dunas foram vencidas e, depois de atolarem na areia fofa, de passarem por muitas lagoas e de terem que pegar impulso várias vezes para subir as dunas mais altas, saíram da reserva da A.P.A. e chegaram a um condomínio particular, vizinho do Aeroporto Internacional 2 de Julho.

É necessário dizer que todo esse passeio foi realizado sob a égide do mais genuíno espírito bugueiro: nada foi destruído, nenhuma porcaria foi deixada no local — aliás, a esse respeito, o Vina fez um comentário que faço questão de reproduzir aqui: “Nem uma gota de cerveja caiu no chão!” Hehehe. O pensamento ecológico foi tão forte, que eles começaram a catar os sacos plásticos e as latas deixados por outros visitantes. É isso aí, bugueiro de verdade sabe como tratar a natureza!

No condomínio, que se chama “Loteamento Stella Maris”, encontraram o buggy de som vermelho — aquele que não conseguimos identificar. O buggy estava a trabalho e fazia propaganda de estabelecimentos comerciais locais. Pararam o bicho e começaram a conversar com o cara que dirigia. Em pouco tempo, tudo virou festa: puseram um CD de hip hop no som do buggy e inventaram uma brincadeira doida: descer as dunas numa pranchinha de sandboard. Imaginem a farra. Enquanto isso, eu e o Toddy, lá em Stella Maris, conjecturávamos sobre o que podia estar acontecendo... E já nos preparávamos para pagar as fianças — na nossa imaginação, a Patrulha da Marinha capturara os buggies na área da A.P.A. e os levara direto para a Polícia Federal.

Faltava uma hora para anoitecer, quando os malucos resolveram voltar, arrastando o buggy vermelho desconhecido. No caminho, numa estrada deserta, Thiagão teve uma brilhante idéia: dar um cavalo-de-pau com o pneu vazio... O pneu foi embora, é claro. E, como o Poney não possuísse step, Roberto emprestou o dele. Resultado: o step do Bird estava vazio também... O Buggy do som não tinha pneu reserva. O jeito era procurar um posto para calibrar, e foi o que fizeram. Dizem que o azar nunca chega de uma vez só... Uma vez no posto, descobriram que o tanque de combustível do Bird estava estourado, com um rombo do tamanho de uma laranja, provavelmente causado por uma pedra nas dunas. Pensaram um pouco e decidiram baixar o caboclo McGiver: retiraram o tanque, puseram no banco do carro, e, do lado do distribuidor, fixaram uma garrafa pet de 2 litros, com arame. Essa garrafa foi preenchida com gasolina, e a mangueira de alimentação geral foi introduzida no líquido... — Crianças, não tentem fazer isso em casa sem o auxílio de um adulto... Aliás, não tentem fazer isso, em hipótese alguma, sob pena de vocês ficarem sem buggy: se uma fagulha saísse do distribuidor...!

Enfim, o armengue deu certo, e eles, depois de reinstalado o pneu do Poney, retornaram vivos à Praça do Petromar, onde eu e o Toddy os esperávamos, ansiosos. Tomávamos mais algumas cervejas, enquanto ouvíamos o relato da aventura nas dunas, quando o Bird do Capitão foi avistado, retornando para casa. Dessa vez, não podíamos perder aquela preciosidade, de forma que levantamos e nos postamos à pista: ou o Capitão parava, ou seríamos atropelados... Hehehe. Ele parou. Mas não foi nada cortês: Não quis conversar e quase não nos deixou fazer as fotos do carro — as últimas fotos, o Vina bateu, enquanto o Capitão nos deixava na poeira. De qualquer forma, o Bird estava lindo.

Chegou o Fernandinho com o seu Valente, mas o III Encontro de Buggies de Salvador, infelizmente, já estava no seu final — pelo menos, para mim e para o Vina, que tínhamos que voltar para casa, acompanhando Cicília, no Uno. Depois das despedidas, fomos finalmente almoçar, na casa da tia de Ciça. Thiagão e o Velho Toddy ainda resistiram bravamente, indo tomar a “saideira” em Plakaford, na barraca de um amigo de Todinho. Acho que o restante do III Encontro aconteceu por lá, regado a Umburoska... Não sei contar direito essa parte. Pelo que soube, eles ligaram para o Neto à meia-noite, convidando para tomar umas em Plakaford... hehehe.

Eu e o Vina viemos com o Bird Cachorrão, pela Avenida Paralela, seguidos de Cicília e as crianças, no Uno. Na altura do antigo “Rei da Pamonha”, mais ou menos metade da Paralela, eu procurei o freio e não obtive resposta... Bombeei o pedal e nada... Caramba! Confesso que desesperei... O buggy ficara parado por mês e meio. Provavelmente, estava com a bomba de freio comprometida... Fui segurando o carro no freio de mão, até um posto de gasolina. Paramos, e completamos o fluido de freio, mas não adiantou: vazou tudo pelo console acima dos pedais... Era a bomba de gasolina mesmo. E agora? A Avenida Paralela é uma via de trânsito veloz, que não deve ser desafiada em tais condições, ainda mais num domingo à noite, quando todos voltam da praia ao mesmo tempo. Pensamos no que seria a melhor decisão: deixar o Bird no posto — Mas, se o fizéssemos, nunca o encontraríamos na volta. O jeito foi levar o carro assim mesmo, mas eu não tive coragem... O Vina, mostrando ao que veio (Hihihi), tomou o volante e nos trouxe até em casa, sem maiores problemas — não sem me dar alguns sustos, é claro! Hehehe.
Assim terminou — para mim e para o Vina, pelo menos — o III Encontro de Buggies de Salvador. Foi uma reunião muito feliz, onde compareceram somente os verdadeiros amantes desse estilo de vida. O Marcão e o Neto, que estrearam — aliás, praticamente, o Encontro fora organizado pelos dois —, mostraram-se pessoas de altíssimo valor “buguístico”, completamente inseridos na “Filosofia” do Planeta. Gente de primeiríssima qualidade, que provavelmente ainda nos trará muitas histórias — leia-se: farras — para contar. Pois, com certeza, acontecerão outros Encontros — e eu não vejo a hora de poder estar com essa galera mais uma vez. Amigos bugueiros, reafirmo a minha alegria em poder compartilhar com vocês dessa estranha mania: Carros VW a ar, em fiberglass, sem capota (sempre!).

Abração,
Alf

 
 
 
 

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