De volta para casa...
Crônicas do Alf
"Quanto Vale um Sonho?"
tópico inserido no site em 21/11/2003
Outro dia, estávamos debatendo quem pagaria um Selvagem novo... E me coloquei meio que na tangente. Aliás, vocês sabem o que penso sobre o assunto: acho que quem tem, paga; quem não tem, compra um Bird de R$ 2.500,00 e fica feliz do mesmo jeito.

Mas hoje, depois de bater um papo com um cara genial, pensei em redimensionar as minhas prioridades. Afinal, ou sou bugueiro ou não o sou... Não existe meio termo.

O causo é o seguinte: Comprei o meu buggy Bird em Agosto do ano passado. Com a ajuda de vocês, comprei um carro excelente e fiquei apaixonado pelo bichinho... Mas, com o ritmo de vida que a gente leva, confesso que não dou a atenção devida ao meu possante. Fico semanas sem andar com ele...

A gente vai desanimando... Deixando para fazer depois... broxando beleza... Aliás, nesses últimos tempos, só tenho ganas de recuperar o meu Cachorrão, quando converso com o Vina (Que, a propósito, deixou o seu Valente de lado também).

Mas, hoje, conversando com um aluno, o grande Zé Maria Lustosa Neto, fiquei meditando sobre o quanto valem os nossos sonhos.

Zé Maria é deficiente físico (Teve pólio quando criança, possui uma perna fina e outra grossa, uma pequena e outra do tamanho normal, mas anda sem muletas ou cadeiras de rodas). Não tem grana, mas é um cara que sabe o que quer dessa (curta, porém intensa) existência sobre o mundo.

Ele me falou que, recentemente, desenbolsou nada mais, nada menos que R$ 63.000,00 (junto com dois outros caras), para comprar um Veleiro classe Laser. Vão competir no South African Cup...

Para vocês entenderem: o Zé Maria não vem de familia rica, não freqüenta a alta sociedade, não usa black Tie... Não usa Tie nenhum, usa bermudão de surfista e qualquer camisa de banda punk que encontrar no guarda-roupas... É só um garoto de 20 e poucos anos, da classe-média (se é que isso ainda existe), que tem um sonho.

Começou nadando nos jogos baianos para deficientes físicos... Chegou a medalha de prata, por equipe, nas paraolimpíadas. Ganhou uma grana irrisória, mas juntou com algumas economias e, com um auxílio do pai, e com o concurso de mais dois amigos (Estes, sim, em melhores condições), compraram o barco. Agora, vão para a África, competir... Oxalá, ganhem alguma coisa... É pouco provável que tenham sucesso nesse final de ano, pois não tiveram tempo para treinar, mas eu estou torcendo.

E eu aqui, com pena de desenbolsar míseros R$ 50,00 para comprar uma bateria nova para o meu Bird... Não é nem pena (Que R$ 50,00 a gente gasta na farra, de cachaça); é mais preguiça.. Desculpa que não tem tempo, etc...

Repito: ou se é bugueiro, ou não... Não deve haver meio-termo. Vou tomar vergonha na cara (ou desistir). Reformar o meu Bird era o meu sonho. Ou cumpro a minha verdade interior, ou compro qualquer "verdade" exterior...

Nunca quis muita coisa nessa vida... Tem gente que quer ser dono do mundo inteiro (Acho louvável essa atitude, considero fortes os ambiciosos), tem gente que quer servir aos seus ideais altruistas (Também acho muito digno, pois são os exemplos de que necessitamos)... Eu, pessoalmente, sempre quis levar uma existência simples, calma e honesta para comigo mesmo. Poder amar uma mulher e ser amado por ela; ter filhos e ensiná-los a serem pessoas dignas; fazer somente aquilo que me der prazer (inclusive, profissionalmente) e ter amigos de verdade. No mais, não me importa onde, nem com quanto... Tenho a ligeira impressão que estou conseguindo realizar a minha existência. E ainda encontrei no mundo bugueiro a minha expressão adequada. No mais, é só perder alguns pudores e outras modorras...

Escrevi tanto para dizer que pretendo terminar a reforma do meu Bird. Deixá-lo do meu jeito. E também para dar uma força para a rapaziada que está desanimando... Não vale a pena esquecer esse sentimento bugueiro (que é quase um fetiche)... POdemos ter carros simples, mas os sentimentos que nos movem são grandes e complexos... São, para resumir, humanos.

O Zé Maria me fez pensar um monte de coisas. Pode até aprecer viagem para vocês, mas me senti tocado. Eu aprendi a ser mais básico ainda com vocês... A simplificar ainda mais a vida... É isso o que devo fazer agora que pretendo investir o meu tempo, a minha paciência e alguma grana no meu Buggy... Se for incapaz de realizar os meus sonhos, é porquê não são meus... Desisto e abandono a pretensão de ser bugueiro... Vou virar Yuppie ou coisa que o valha...

É isso aí,

Abração,

Alf

 
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