De volta para casa...
CHEDA

inserido no site em 05/12/2003
atualizado em 29/08/2010

Um pouco da história desta fábrica, nos foi passada pelo Milton Flores, através de uma reportagem de 4x4, de 1986. A seguir, colocamos o texto da mesma, falando sobre uma versão do Cheda: o Selva, um buggy desenvolvido para trilhas em matos e não na areia. Se quiser, ao final desta página, estão as páginas da revista, devidamente escaneadas. Clica nas imagens, para ver em tamanho maior...

SELVA, UM BUGGY PARA O FORA-DE-ESTRADA

Desde que entrou para o rendoso mercado dos veículos especiais, a Mariauto notou a performance fora-de-estrada que seus clientes solicitavam do Buggy Cheda. Por isso, a empresa paulista resolveu modificar seu projeto, a fim de cumprir com maior eficiência as necessidades dos consumidores off road. Assim nasceu o Selva.

Os buggies são veículos idealizados para o lazer e para as praias, e têm na simplicidade de projeto e na carroceria de fibra de vidro argumentos indiscutíveis a seu favor. Mas é óbvio que esta filosofia de versatilidade e descompromisso, induziu muitos dos proprietários dos simpáticos carrinhos a achar novas utilizações para eles, notadamente no fora-de-estrada. Mas, apesar de responderem relativamente bem a estas aplicações, os buggies jamais poderiam concorrer de igual para igual com veículos projetados para elas. No entanto, por serem veículos mais acessíveis do que os especialmente construídos para o fora-de-estrada, e por apresentarem manutenção simples - quase todos os buggies são construídos sobre mecânica Volkswagen refrigerada a ar - estes veículos vêm sendo cada vez mais utilizados para trafegar em péssimas estradas de fazendas e cidades do interior.

Ingressando no ramo de buggies no final de 1984, a Mariauto tem fabricado o Cheda com resultados comerciais bastante satisfatórios. E, como dissemos em matéria publicada na edição 26 de 4x4 & PICKUP, ele continua a ser um dos poucos que apresentam uma solução estética acima da média entre os similares. Detectando esta nova tendência de mercado, a empresa investiu no desenvolvimento de duas novas versões baseadas no antigo Cheda. Uma delas é o Endurance, um modelo mais sofisticado - inclusive com preparação de motor - próprio para velocidades mais altas. A outra criação da Mariauto é este Selva, que vem ao encontro das aspirações daqueles que querem um veículo que possa chegar a lugares de difícil acesso com melhor desempenho.

O SELVA

É claro que o ponto de partida para o desenvolvimento do Selva foi o bem sucedido Cheda, que manteve as mesmas boas características de construção e as mesmas dimensões exteriores e interiores. Como principal novidade, o Selva recebeu um novo capô, com um rebaixo que acomoda o estepe - inexistente no irmão mais velho. Aliás, a ausência de estepe é um problema crônico dos buggies, que são construídos sem que se tenha qualquer tipo de preocupação com este indispensável complemento. Se por um lado agora se pode contar com a segurança do estepe (e com uma aparência mais agressiva e acentuada de veículo fora-de-estrada), por outro perdeu-se o que restava do pequeno espaço para bagagens sob o capô e também um pouco da visibilidade. Apesar de adaptar-se quase que inteiramente ao veículo, os poucos centímetros que o pneu deixa para cima da linha do capô, são suficientes para projetar o ângulo de visão do motorista vários metros à frente do que seria desejável. Devido às pequenas dimensões do capô, o rebaixo criado só é suficiente para acomodar uma roda de 14x6 polegadas e seu respectivo pneu. Isso significa que este conjunto roda/pneu equivale aos utilizados na dianteira e, no caso de um furo em um dos pneus traseiros - que são de outra medida, 10x15 polegadas - o Selva terá que se deslocar até o borracheiro mais próximo com uma pequena descompensação na suspensão traseira. Em todo o caso, ainda é melhor que ficar imóvel em locais remotos.

Além disso, o Selva recebeu outros acessórios que o diferenciam do antigo Cheda: utilíssimo seletor de tração que atua independentemente em cada uma das rodas traseiras, novos parachoques reforçados que permitem melhores ângulos de ataque e saída, telas protetoras dos faróis, reboque para carreta, guincho manual, estribos, proteção para lanternas, faróis de milha, faróis direcionais para serviço, farol auxiliar na traseira, camburão suplementar de 20 litros e escapamentos com saídas mais altas - para facilitar ultrapassagem de riachos e poças profundas.

Cuidada a parte que caracteriza a estética e a complementação de acessórios, seria também conveniente que o Selva ganhasse maior eficiência quanto às possibilidades de transpor obstáculos. Para isso, a suspensão traseira passou a adotar os amortecedores da Kombi - em função do maior peso suspenso das rodas e pneus de grande largura e diâmetro - o que também vai garantir um melhor funcionamento do conjunto nas solicitações severas das aventuras off road. Utilizando-se das regulagens normais, tanto a suspensão dianteira quanto a traseira, foram alteradas de forma a dar ao Selva alguns centímetros a mais de vão livre do solo e, consequentemente, maior mobilidade em terrenos difíceis.

O interior é o mesmo do Cheda, mas o Selva recebeu um volante de maior diâmetro que facilita as manobras em pequenos espaços. O Selva pode vir equipado com a capota de plástico convencional - preta ou bege - ou somente com uma capotinha "de serviço", sem as laterais, mais apropriada para o trabalho nas fazendas. Para acentuar o clima de veículo fora-de-estrada, ele é oferecido em apenas duas cores: marron e verde musgo.

O SELVA NO SEU HABITAT

Naturalmente os buggies não costumam apresentar excelentes comportamentos e, surpreendentemente, o Selva tem melhores reações que o Cheda. Apesar das suspensões ligeiramente levantadas, os novos amortecedores na traseira e o maior acúmulo de peso na dianteira - composto pelo novo capô, estepe, macaco, chave de roda, novo parachoque e o guincho, deixaram o Selva um pouco mais estável. Claro que ainda falta muito para se obter o compromisso ideal de dirigibilidade, conforto e estabilidade, mas não chega a comprometer - ainda que permaneça a tendência do desgarramento de traseira.

Em função da pequena distância entre-eixos, o Selva tem bastante mobilidade e facilidade na transposição de ressaltos e depressões. Mas esta característica poderia estar bastante mais acentuada. Com rodas e pneus de maior diâmetro, as relações de marchas ficaram sensivelmente mais alongadas. Para que ele adquirisse maior agilidade e força, seria conveniente encurtar a relação do diferencial. Claro que esta observação só é válida para os que pretendem - ou precisam - trafegar em condições de terreno que exijam muito do veículo. Excluídas estas ocasiões, o buggy vai razoavelmente bem.

Durante nosso período de avaliações descobrimos mais um inconveniente causado pela presença do indispensável estepe. Depois de uma chuva torrencial, tivemos que parar para abastecer o tanque de combustível. Mesmo com abertura auxiliada por duas molas a gás, o capô não é dos mais leves e, assim que foi levantado, uma verdadeira enxurrada desabou dentro do compartimento dianteiro - mais precisamente sobre a caixa de fusíveis. Percebemos, então, que o rebaixamento onde se aloja o estepe, não tem um sistema de dreno para esta situação - o que faz com que ele se transforme em uma verdadeira piscina.

Com o seletor de tração, o Selva vai muito bem na lama ou em valetas onde uma das rodas motrizes perde tração. E, apesar de ter um comportamento um tanto atípico por causa do pequeno curso da suspensão - frequentemente uma das rodas fica suspensa quando a depressão a ser transposta é muito profunda - ele passa com relativa facilidade.

CONCLUSÃO

O Selva mantém as mesmas boas características de conforto, posição do motorista, e volume de informações fornecido pelo variado painel de instrumentos. Continua sendo muito agradável de dirigir e, mesmo que sua melhor performance ainda se apresente nos terrenos arenosos das praias, passou a comportar-se melhor em situações off-road. Nas estradas e em altas velocidades, ainda continua sofrendo bastante a ação dos ventos laterais, mas este é um problema que não poderá ser solucionado, sem o comprometimento do vão livre do solo e calibragens de suspensão - que fariam com que o Selva perdesse as características de veículo fora-de-estrada. (Caio Moraes)

A reportagem original. Clica nas imagens, para ver maior:


Veja os Chedas que estão no acervo do Planeta (clica nas fotos)
O Cheda do Rodolfo, tem muitas soluções interessantes, para os que estão reformando seus buggies.
   
Este é o Cheda do Antonio Mota - apenas uma foto, para mostrar que está em andamento a reforma de um Cheda.
   
O Cheda do Milton, de São Paulo e seus buggymaníacos!
   
O Cheda, totalmente reformado, do Sérgio! Uma beleza!

 

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