Esta
reportagem foi remetida pelo Paulo Silva Parra, para colaborar com
o esclarecimento da história do buggy no Brasil. Para facilitar
a leitura, o texto está sendo apresentado em formato html
e não em figuras, mas, se você quiser, clique nas imagens
ao final, para ver o texto no formato original.

Em
1961, a Glaspac, que já existia, mas em forma de firma complementar
de uma fábrica de equipamentos texteis, foi comprada por
um jovem filho de ingleses, Donald Pacey, que depois se uniu a Guerry
Cunnigham, que como ele gostava de corrida de automóveis.
Quando
a Glaspac iniciou suas atividades, explorava o ramo de "fiber-glass"
(sic) , de uma maneira geral. Mas os dois jovens esperavam
entrar no campo do automobilismo esportivo. Tempos depois a oportunidade
chegou, pois começaram a fabricar carrocerias e partes especiais
para carros de competição.
Até
hoje fabricam as carrocerias de "fiber", replicas exatas
do sedan VW, para fins de competição. O VW de dois
motores dos irmãos Fittipaldi emprega esta carroceria.
Este
"buggy" surgiu quase que por acaso. A firma tinha um sedan
VW modelo 1951, que, a cada dia que passava, pior ficava, atacado
de velhice crônica.
A
carroceria ficou tão ruim, que acabaram arrancando-a. A plataforma
e a parte mecânica estavam em razoável estado e ficaram
encostadas até que Donald e Gerry tomaram conhecimento dos
buggies norteamericanos.
Aí,
a plataforma do VW passou a ter utilidade: nas horas vagas, eles
procuravam campos de futebol nas vizinhanças e lá
iam com seu buggy improvisado.
Dando
saltos e superando terrenos quase inacessíveis, foram gostando
da brincadeira e finalmente resolveram construir um verdadeiro buggy
para eles.
O
problema passou a ser a escolha do modelo. Observando os já
existentes no exterior resolveram fazer uma carroceria que seria
uma mistura do Empi e do Meyers Manx.
Enquanto
iam fazendo os desenhos ajudados pelo desenhista Itajará,
passaram a preparar a plataforma do VW. Ela foi encurtada 36cm,
como fazem os americanos.
Esses
trabalhos foram iniciados no começo de 1968 e o trabalho
era feito quando sobrava algum tempo, já que o buggy seria
apenas para recreação de Donald e Gerry.
Porém,
quando o estranho carrinho foi tomando forma, os amigos iam ficando
animados. Muitos queriam um também. Coincidentemente, o filme
"Crow, o Magnífico", mostrava um buggy, assim como
a série de televisão "Cowboy na África".
O
interesse aumentou tanto que Donald e Gerry resolveram apressar
seus planos e partir para produção em série.
Atualmente a Glaspac vende o kit básico, composto por toda
a carroceria, pára-brisas, escapamento especial, santo-antônio
para-choques, farois dianteiros e borrachas. Esse kit, com impostos,
custa NCr$ 3.500,00,
Para
montar o buggy, o interessado deverá comprar um VW trombado.
Depois deverá encurtar a plataforma, o que pode ser feito
por firmas especializadas, que já surgem, como é o
caso do revendedor VW Davox, de São Paulo, que possui inclusive
gabarito de montagem. O encurtamento da plataforma, modificação
do sistema elétrico e colocação da carroceria
de fiber-glass, fica em aproximadamente NCr$ 500,00.
no
trânsito, o "buggy" causa sensação
Um
sedan VW trombado pode ser comprado por uns NCr$ 2.500,00 com toda
a mecânica que pode ser utilizada. Assim, um buggy na versão
mais standard pode ser montado por aproximadamente NCr$ 7.000,00.
Um mais completo, com kit 1600, rodas e pneus especiais, capota
e outros equipamentos, chega a casa dos NCr$ 10.000,00.
COMO
É O BUGGY
Pintado
em cores vivas, sem frisos ou outros enfeites, o buggy tem carroceria
bastante simples. Mesmo as habituais portas encontradas em todo
tipo de veículo, nele não existem.
O
testado possui dois bancos do tipo concha, normalmente empregados
em carros de competição. Eles são os mais indicados,
pois, além de oferecer grande comodidade, ainda agarram bem
os ocupantes, permitindo efetuar acrobacias.
Durante
os testes mais violentos, sentimos a falta de cinto de segurança,
pois nos saltos, tinhamos tendência a sair do banco. Como
o buggy é encurtado entre-eixos, em relação
a um VW sedan, o espaço disponível na parte traseira
é menor. A bateria é alojada em posição
semelhante ao do sedan.
Embora
não existisse no carro testado, pode-se colocar um banco
na parte traseira, que acomodará duas ou três pessoas.
Também está prevista uma capota em fiber-glass ou
de outro material que poderá ser feito a gosto do proprietário.
Para
segurança dos ocupantes, foi instalado um robusto santo-antônio
para o caso de uma capotada, que aliás é quase impossível.
Para
proteger os ocupantes do vento excessivo, o buggy tem um amplo para-brisa
fixo. Muitos, temos certeza, modificarão o sistema, para
que o para-brisa possa ser abaixado, aumentando a sensação
que o vento no rosto causa.
Olhando
o painel e os comandos. logo lembramos que este simpático
carrinho é derivado de um VW. O painel, moldado em fiber-glass,
aloja um aparelho conjugado com velocímetro e odômetro,
de VW.
À
direita, vemos o medidor do nível do tanque de gasolina,
que fica na frente, abaixo do capô. Mais à direita,
duas chaves: uma do limpador de para-brisa e das lanternas e faróis.
Os
faróis dianteiros são de modelo especial, que naturalmente
possuem os habituais fachos alto e baixo, comutáveis pelo
pé esquerdo do motorista. As lanternas traseiras são
do VW, inclusive com a chave dos sinalizadores de direção
e chave de partida.
O volante de direção foi trocado por um tipo F1, de
menor diâmetro.
A
pedaleira e freio de mão foram mantidos inalterados, enquanto
a alavanca de câmbio, na mesma posição, foi
encurtada.
Dois
espelhos, um interno e outro externo, completam o conjunto.

ANDANDO
NO BUGGY
Situar
as possibilidades de uso do Buggy, realmente é difícil.
Mas
o maior sucesso ocorrerá em cidades onde existem praias.
Em dias de sol, pode-se ter as emoções de uma moto,
com maior comodidade e em companhia de um maior número de
pessoas. Como o buggy é muito leve, mesmo com o motor 1300,
suas performances são excelentes.
O
testado por nós estava equipado com o motor onde foram instalados
os kits 1600 e dupla carburação. Em ordem de marcha,
ou seja, com o tanque de combustível cheio, pesou apenas
550 quilos. Assim, a relação peso-potência era
das mais favoráveis.
Para
melhorar a estabilidade e tração, foram colocadas
rodas de magnésio, aro 15, com tala 7 na frente e 10 atrás.
Os pneus escolhidos foram os Pirelli Cinturato 185 na frente e 210
atrás.
No
trânsito, o buggy causa a maior sensação. Se
você gosta de passar despercebido, nunca compre um. Todos
olham e quando você estacionar, o difícil será
responder a todas as perguntas e debandar os curiosos.
As
quatro marchas quase não precisam ser usadas, pois a quarta
tem força suficiente para vencer a maioria das subidas. Se
não der, restam mais três. A primeira tem força
suficiente para vencer a rampa mais violenta que você conseguir
descobrir.
Em
decorrência do baixo peso, os freios, embora iguais aos do
Sedan VW, tornam-se excelentes, parecendo a disco.
Ao
andar em trânsito normal, ou em qualquer condição,
o vento em seu rosto e o fato de você não estar rodeado
por nada lhe dá uma sensação de liberdade indescritível.

Mas
a verdadeira sensação é sentida quando andamos
com ele em terrenos acidentados. Ele supera obstáculos aparentemente
impossíveis. Em dunas de areia ou desníveis maiores,
é que está reservada a maior surpresa. Você
vê um desnível, segura firme a direção
e não tira o pé do acelerador. Na primeira experiência,
você sentirá um certo receio. O buggy alcança
o desnível e decola do chão, para aterrisar muitos
metros adiante. Depois de pegar o jeito, você perde o receio
e logo estará planando a mais de meio metro do chão.
A
estabilidade é tão grande que não é
preciso ter receio. Mas é aconselhável fazer isso
com cinto de segurança, pois num tranco maior você
pode cair do banco, o que pode causar um acidente grave. Mas, preso,
não há problema e, mesmo que algo aconteça,
o santoantônio o protegerá.
Em
piso molhado, terra ou areia, é possível dar "cavalos
de pau" na mais absoluta segurança. Em curvas, o buggy
mostrou ser acentuadamente subesterçante (sai de frente).
Isso ocorre devido a grande parte do peso recair na parte traseira.
Talvez acertos na tala das rodas possam amenizar essa tendência.
Vários
grupos estão preparando buggies para lançar, brevemente,
no mercado nacional. Entre eles, o buggy do grupo Puma, cujo protótipo
já está pronto e vem sendo submetido a provas (a
revista, provavelmente, refere-se ao Kadron, que foi industrializado
nas dependências da Puma - nota do Planeta). Esse carrinho
foi feito nas oficinas da Comercial "MM" Ltda., em São
Paulo, e também utiliza mecânica VW. |