De volta para casa...
AutoEsporte - 70´s
tópico inserido no site em 04/12/2003

Esta reportagem foi remetida pelo Paulo Silva Parra, para colaborar com o esclarecimento da história do buggy no Brasil. Para facilitar a leitura, o texto está sendo apresentado em formato html e não em figuras, mas, se você quiser, clique nas imagens ao final, para ver o texto no formato original.


Em 1961, a Glaspac, que já existia, mas em forma de firma complementar de uma fábrica de equipamentos texteis, foi comprada por um jovem filho de ingleses, Donald Pacey, que depois se uniu a Guerry Cunnigham, que como ele gostava de corrida de automóveis.

Quando a Glaspac iniciou suas atividades, explorava o ramo de "fiber-glass" (sic) , de uma maneira geral. Mas os dois jovens esperavam entrar no campo do automobilismo esportivo. Tempos depois a oportunidade chegou, pois começaram a fabricar carrocerias e partes especiais para carros de competição.

Até hoje fabricam as carrocerias de "fiber", replicas exatas do sedan VW, para fins de competição. O VW de dois motores dos irmãos Fittipaldi emprega esta carroceria.

Este "buggy" surgiu quase que por acaso. A firma tinha um sedan VW modelo 1951, que, a cada dia que passava, pior ficava, atacado de velhice crônica.

A carroceria ficou tão ruim, que acabaram arrancando-a. A plataforma e a parte mecânica estavam em razoável estado e ficaram encostadas até que Donald e Gerry tomaram conhecimento dos buggies norteamericanos.

Aí, a plataforma do VW passou a ter utilidade: nas horas vagas, eles procuravam campos de futebol nas vizinhanças e lá iam com seu buggy improvisado.

Dando saltos e superando terrenos quase inacessíveis, foram gostando da brincadeira e finalmente resolveram construir um verdadeiro buggy para eles.

O problema passou a ser a escolha do modelo. Observando os já existentes no exterior resolveram fazer uma carroceria que seria uma mistura do Empi e do Meyers Manx.

Enquanto iam fazendo os desenhos ajudados pelo desenhista Itajará, passaram a preparar a plataforma do VW. Ela foi encurtada 36cm, como fazem os americanos.

Esses trabalhos foram iniciados no começo de 1968 e o trabalho era feito quando sobrava algum tempo, já que o buggy seria apenas para recreação de Donald e Gerry.

Porém, quando o estranho carrinho foi tomando forma, os amigos iam ficando animados. Muitos queriam um também. Coincidentemente, o filme "Crow, o Magnífico", mostrava um buggy, assim como a série de televisão "Cowboy na África".

O interesse aumentou tanto que Donald e Gerry resolveram apressar seus planos e partir para produção em série. Atualmente a Glaspac vende o kit básico, composto por toda a carroceria, pára-brisas, escapamento especial, santo-antônio para-choques, farois dianteiros e borrachas. Esse kit, com impostos, custa NCr$ 3.500,00,

Para montar o buggy, o interessado deverá comprar um VW trombado. Depois deverá encurtar a plataforma, o que pode ser feito por firmas especializadas, que já surgem, como é o caso do revendedor VW Davox, de São Paulo, que possui inclusive gabarito de montagem. O encurtamento da plataforma, modificação do sistema elétrico e colocação da carroceria de fiber-glass, fica em aproximadamente NCr$ 500,00.

no trânsito, o "buggy" causa sensação

Um sedan VW trombado pode ser comprado por uns NCr$ 2.500,00 com toda a mecânica que pode ser utilizada. Assim, um buggy na versão mais standard pode ser montado por aproximadamente NCr$ 7.000,00. Um mais completo, com kit 1600, rodas e pneus especiais, capota e outros equipamentos, chega a casa dos NCr$ 10.000,00.

COMO É O BUGGY

Pintado em cores vivas, sem frisos ou outros enfeites, o buggy tem carroceria bastante simples. Mesmo as habituais portas encontradas em todo tipo de veículo, nele não existem.

O testado possui dois bancos do tipo concha, normalmente empregados em carros de competição. Eles são os mais indicados, pois, além de oferecer grande comodidade, ainda agarram bem os ocupantes, permitindo efetuar acrobacias.

Durante os testes mais violentos, sentimos a falta de cinto de segurança, pois nos saltos, tinhamos tendência a sair do banco. Como o buggy é encurtado entre-eixos, em relação a um VW sedan, o espaço disponível na parte traseira é menor. A bateria é alojada em posição semelhante ao do sedan.

Embora não existisse no carro testado, pode-se colocar um banco na parte traseira, que acomodará duas ou três pessoas. Também está prevista uma capota em fiber-glass ou de outro material que poderá ser feito a gosto do proprietário.

Para segurança dos ocupantes, foi instalado um robusto santo-antônio para o caso de uma capotada, que aliás é quase impossível.

Para proteger os ocupantes do vento excessivo, o buggy tem um amplo para-brisa fixo. Muitos, temos certeza, modificarão o sistema, para que o para-brisa possa ser abaixado, aumentando a sensação que o vento no rosto causa.

Olhando o painel e os comandos. logo lembramos que este simpático carrinho é derivado de um VW. O painel, moldado em fiber-glass, aloja um aparelho conjugado com velocímetro e odômetro, de VW.

À direita, vemos o medidor do nível do tanque de gasolina, que fica na frente, abaixo do capô. Mais à direita, duas chaves: uma do limpador de para-brisa e das lanternas e faróis.

Os faróis dianteiros são de modelo especial, que naturalmente possuem os habituais fachos alto e baixo, comutáveis pelo pé esquerdo do motorista. As lanternas traseiras são do VW, inclusive com a chave dos sinalizadores de direção e chave de partida.

O volante de direção foi trocado por um tipo F1, de menor diâmetro.

A pedaleira e freio de mão foram mantidos inalterados, enquanto a alavanca de câmbio, na mesma posição, foi encurtada.

Dois espelhos, um interno e outro externo, completam o conjunto.

ANDANDO NO BUGGY

Situar as possibilidades de uso do Buggy, realmente é difícil.

Mas o maior sucesso ocorrerá em cidades onde existem praias. Em dias de sol, pode-se ter as emoções de uma moto, com maior comodidade e em companhia de um maior número de pessoas. Como o buggy é muito leve, mesmo com o motor 1300, suas performances são excelentes.

O testado por nós estava equipado com o motor onde foram instalados os kits 1600 e dupla carburação. Em ordem de marcha, ou seja, com o tanque de combustível cheio, pesou apenas 550 quilos. Assim, a relação peso-potência era das mais favoráveis.

Para melhorar a estabilidade e tração, foram colocadas rodas de magnésio, aro 15, com tala 7 na frente e 10 atrás. Os pneus escolhidos foram os Pirelli Cinturato 185 na frente e 210 atrás.

No trânsito, o buggy causa a maior sensação. Se você gosta de passar despercebido, nunca compre um. Todos olham e quando você estacionar, o difícil será responder a todas as perguntas e debandar os curiosos.

As quatro marchas quase não precisam ser usadas, pois a quarta tem força suficiente para vencer a maioria das subidas. Se não der, restam mais três. A primeira tem força suficiente para vencer a rampa mais violenta que você conseguir descobrir.

Em decorrência do baixo peso, os freios, embora iguais aos do Sedan VW, tornam-se excelentes, parecendo a disco.

Ao andar em trânsito normal, ou em qualquer condição, o vento em seu rosto e o fato de você não estar rodeado por nada lhe dá uma sensação de liberdade indescritível.

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Mas a verdadeira sensação é sentida quando andamos com ele em terrenos acidentados. Ele supera obstáculos aparentemente impossíveis. Em dunas de areia ou desníveis maiores, é que está reservada a maior surpresa. Você vê um desnível, segura firme a direção e não tira o pé do acelerador. Na primeira experiência, você sentirá um certo receio. O buggy alcança o desnível e decola do chão, para aterrisar muitos metros adiante. Depois de pegar o jeito, você perde o receio e logo estará planando a mais de meio metro do chão.

     
     
 
 
     

A estabilidade é tão grande que não é preciso ter receio. Mas é aconselhável fazer isso com cinto de segurança, pois num tranco maior você pode cair do banco, o que pode causar um acidente grave. Mas, preso, não há problema e, mesmo que algo aconteça, o santoantônio o protegerá.

Em piso molhado, terra ou areia, é possível dar "cavalos de pau" na mais absoluta segurança. Em curvas, o buggy mostrou ser acentuadamente subesterçante (sai de frente). Isso ocorre devido a grande parte do peso recair na parte traseira. Talvez acertos na tala das rodas possam amenizar essa tendência.

Vários grupos estão preparando buggies para lançar, brevemente, no mercado nacional. Entre eles, o buggy do grupo Puma, cujo protótipo já está pronto e vem sendo submetido a provas (a revista, provavelmente, refere-se ao Kadron, que foi industrializado nas dependências da Puma - nota do Planeta). Esse carrinho foi feito nas oficinas da Comercial "MM" Ltda., em São Paulo, e também utiliza mecânica VW.

 
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