De volta para casa...
Bugues ainda resistem à força dos importados
tópico inserido no site em 03/07/2003

Com a chegada no Brasil dos carros importados com tração nas quatro rodas os bugues perderam espaço no mercado. Ainda assim, no Ceará - um dos maiores pólos produtores de bugues do País - algumas pequenas montadoras continuam fabricando, artesanalmente, os potentes carrinhos

Benedito Teixeira
da Redação

[17 Julho 2002 - 00h01min]


Montadoras apostam no turismo para continuarem colocando os bugues nas ruas ou nas dunas
(Divulgação)

Eles foram quase relegados ao ostracismo depois que a economia brasileira se abriu para os carrões importados com tração nas quatro rodas, principalmente a partir do Plano Real, em 1994. Os consumidores que não podiam comprar um jipe da Suzuki, Mitsubishi, Land Rover e outros, por causa do dólar caro, passaram a ter essa oportunidade quando o real se equiparou à moeda norte-americana, deixando os quase artesanais bugues de lado. Os empresários que sobreviveram e ainda montam seus bugues no Ceará não culpam somente os fortes concorrentes estrangeiros e mais modernos, mas a própria saúde financeira das fábricas pela série de falências.

''O modismo de ter um bugue também foi acabando'', relata Lívio Araújo da Cunha, diretor da Marina's, uma das três pequenas montadoras ativas que ainda restam no Estado, ao lado da Fibravan e da Tyg. Em 1993, existiam pelo menos 12 montadoras no Ceará, que chegaram a responder por 70% dos bugues produzidos no Brasil. Hoje, a produção não passa de 50 carros por mês, cerca 150% a menos. ''É tudo muito artesanal e só montamos por encomenda'', observa o empresário da Marina's, que só fabrica cerca de cinco carros por mês, mas tem capacidade para 20.

Atualmente, os maiores clientes são associações de bugueiros e empresas do setor de turismo, mais especificamente voltadas para as regiões praianas. Os particulares quase sumiram da lista de clientes dessas pequenas montadoras. Altair Maia, proprietário da cearense Caribe - que está parada há um ano por problemas financeiros, mas espera retornar ao mercado em dezembro deste ano ou janeiro de 2003 -, lembra que com a falência da Fyber em 1999, uma das maiores fábricas de bugues do Brasil e que respondia por 99% da produção do Estado, muitas outras empresas quebraram juntas.

O empresário Vanildo Lima, dono da maior fábrica de bugues da cidade atualmente, a Fibravan, aposta no elevado custo da manutenção dos quatro por quatro para alavancar suas vendas. Segundo ele, o gasto com 10 manutenções de um 4x4 equivale ao preço de um bugue zero quilômetro. O preço de um bugue novo fabricado no Ceará varia de cerca de R$ 14 mil a R$ 17,5 mil. Praticamente o preço de um carro popular das grandes montadoras. ''O consumidor particular desses carros, atualmente, é oriundo dos importados ou então é aquele que ainda não dispõe de dinheiro e não se rendeu aos encantos dos potentes importados'', ressalta Lima.

De acordo com site www.planetabuggy.com.br - voltado para o mercado, técnicos e aficcionados - 99% da mecânica dos bugues é a mesma utilizada no Fusca. Os mais novos têm seu próprio chassi, mas antigamente as montadoras também aproveitavam a plataforma dos fusquinhas. O motor mais utilizado hoje é o 1600cc da Volkswagen Komby, comprado novo das concessionárias, mas ainda são utilizados o 1300cc e o 1500cc, mais antigos. O motor 1600cc pode usar um ou dois carburadores, sendo a dupla carburação 12% mais potente. Os bugues com motor recondicionado ou ''reindustrializado'', como prefere chamar Lima, da Fibravan, são até 40% mais baratos. Toda a parte mecânica é Volkswagem.

Lívio Cunha informa que os demais acessórios são adquiridos de outros fornecedores. A fibra de vidro que compõe a carroceria é importada dos Estados Unidos, o que impede o barateamento do carro por causa do dólar alto. ''Além disso, não produzimos em série para ganhar escala e reduzir os custos'', explica Vanildo Lima, da Caribe.

Os pneus traseiros (11L15), na grande maioria dos veículos, são do tipo Dune Buggy, produzidos pela Firestone ou pela Maggion (9L15). São pneus com preço ''salgado'', cerca R$ 120 cada, e utilizados com câmara. Os pneus dianteiros podem ser para rodas com aro 13 ou 14. O Planeta Buggy considera a segunda opção melhor pois os pneus mais largos produzem um impacto forte na direção.

Outra orientação: é interessante conferir o alinhamento das rodas e chassi em equipamento moderno com o objetivo de identificar problemas mais sérios. Lima faz questão de ressaltar que, apesar dos equipamentos mais modernos, o bugue continua sendo um carro ''duro'' pois sua finalidade lhe pede isso. O painel desses carrinhos são super básicos e mecânicos (não eletrônicos), com velocímetro, voltímetro, comando de chaves, acionador de lâmpada e dos piscas. O consumo de combustível também não reduziu ao longo dos anos, ficando em 10 quilômetros por litro de gasolina. (Colaborou Emanuela Ribeiro)


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