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inserido no site em 18/04/2004
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Bugue Selvagem é exportado para a Europa

Divulgação
NEGÓCIO - Marcos Neves começa a exportar seus bugues
18/04/04

Anna Ruth Dantas - Repórter

Primeira indústria automobilística do Nordeste, a Selvagem começa a viver uma nova fase após a estagnação das vendas, provocada pelas altas taxas de impostos. A empresa realizou a primeira exportação de sua história. Para um empresário espanhol foram comercializados 5 bugues, no preço total de R$ 150 mil, sem impostos. Um valor modesto se comparado aos ousados planos de exportação da empresa. Os veículos vendidos para a Espanha ainda se diferenciaram dos normalmente comercializados porque o comprador solicitou catalisador e escapamento inox. O valor de cada carro, sem as taxas aduaneiras, foi de R$ 30 mil. No entanto, se esse mesmo veículo fosse vendido no mercado nacional o valor não sairia por menos de R$ 52 mil. A desproporção de valores é reflexo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 35%, cobrado sobre o Selvagem, e a isenção de impostos no produto para exportação. O valor alto no nacional e o preço razoável no mercado estrangeiro está trazendo uma nova situação de negócio para a indústria. "Esperamos vender até o final do ano 50 veículos para o mercado estrangeiro. Enquanto isso, a venda aqui (no Brasil) é muito pequena", observa a gerente Comercial da Selvagem, Margarida Costa dos Santos. Portugal, Estados Unidos, Itália e a Ilha de Honolulu são alguns dos países que poderão, em breve, receber bugues. No caso dos cinco carros exportados para Espanha, o transporte foi feito por navio. Os carros seguiram de Natal até Santos numa carreta e no porto daquela cidade embarcaram num navio de turismo. O interesse dos estrangeiros pelo veículo fabricado e criado no Rio Grande do Norte dá uma nova injeção nos negócios da empresa que passa por uma situação delicada, provocada pela queda nas vendas, conseqüência da taxa de IPI. "O bugueiro não tem nem mesmo direito a usar os incentivos dados aos taxistas na compra do carro zero quilômetro (isenção de ICMS e IPI). Já fizemos a solicitação, eles usam placa vermelha (semelhante ao taxista), mas, mesmo assim, não ganharam as vantagens", comenta Margarida Costa.

A realidade atual da Selvagem é muito diferente da vivida há 15 anos, quando eram mais de 80 funcionários na empresa e uma grande produção. Hoje, são 20 funcionários e a produção chega a 5 carros mensais.

PREJUÍZO - Se para indústria potiguar a redução nas vendas foi grande, para outras fábricas os prejuízos nos negócios trazido pelo aumento de IPI (que passou de 0,1% para 35% em 1994) foi ainda maior: muitas delas fecharam. A Selvagem é hoje a única indústria de bugue do Nordeste. A reclamação da gerente Comercial, Margarida Costa, contra os impostos ganha um eco ainda maior quando ela destaca o trabalho artesanal do bugue. "Esse é um produto artesanal, da nossa terra, não deveria nem ser cobrado imposto", destaca. Mas os negócios da Selvagem não se resumem aos bugues. Na fábrica, também são feitas sob encomenda barcos e carrocerias. Foi criação de Marcos Neves, o proprietário da fábrica, o primeiro avião feito no Rio Grande do Norte, há mais de 16 anos. "Até hoje a aeronave ainda passa pelos céus do Brasil", comenta Margarida Costa.

Selvagem cria novo modelo de bugue Um novo modelo de bugue será lançado no mercado. Já está sendo desenvolvido pela Selvagem o bugue "Sol". Um dos principais atrativos desse veículo será a comodidade de operar com gás, álcool ou gasolina. Além disso, o veículo terá capacidade para transportar seis pessoas. Outra característica do carro é o fato de ser próprio para passeio, sem poder trafegar sobre as dunas. Na mecânica, o veículo também difere, já que possui um módulo único, inclusive com o chassi. Esse é o terceiro modelo de Selvagem. O primeiro criado foi o "L", que hoje é comercializado por R$ 46 mil. O segundo modelo e mais comercializado é o "S", vendido por R$ 48 mil, veículo com injeção eletrônica
FABRICAÇÃO - Diferente dos demais veículos, o processo de fabricação do bugue Selvagem é semelhante a um trabalho artesanal. Antes de qualquer trabalho é feito, com base no modelo criado, um pré-molde de madeira, que demora 9 meses para ficar pronto. Após essa etapa, é feito um molde de fibra de vidro, que é concluído após 2 meses. Só depois desses dois processos é que inicia a fabricação do Selvagem, que tem o tempo médio de fabricação estimado em 20 dias. A primeira etapa do trabalho é a laminação. Nessa fase, são feitas todas as peças em fibra de vidro. Um trabalho delicado. Sobre o molde é passada uma camada de líquido, mistura de resina, cobalto, catalisador e monômero destileno, em seguida é aplicada a fibra de vidro. O processo é feito quatro vezes para cada peça.

Depois, as peças são unidas e o veículo é todo lixado. Finalizada essa fase, o bugue vai para a estufa onde é pintado. A instalação das peças mecânicas no veículo é a etapa seguinte. Além do próprio veículo, a Selvagem também já desenvolveu o chassi do veículo. Dos 5 mil itens usados no bugue, 2 mil são fabricados na indústria de Parnamirim.

 

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